Rio põe R$ 3 milhões de dinheiro público em filme sobre o Faraó dos Bitcoins

Resumo:A Prefeitura do Rio de Janeiro vai investir R$ 3 milhões de dinheiro público em filme sobre o Faraó dos Bitcoins.

A Prefeitura do Rio vai investir R$ 3 milhões de dinheiro público em um filme sobre o Faraó dos Bitcoins, o caso de pirâmide financeira que marcou o mercado cripto no Brasil. O valor foi aprovado pela RioFilme, empresa municipal de apoio ao cinema, e divulgado na terça-feira (3).

O dinheiro não sai como doação. A prefeitura espera recuperar o valor com parte da receita do filme, mas esse retorno depende do desempenho da obra.

O projeto, apresentado pela Morena Filmes Eireli, levou o valor máximo da rodada na segunda reunião de decisão de investimento do Edital nº 7, o RioFilme Invest. A reunião foi virtual, na quinta-feira (29), depois de apresentações orais e esclarecimentos técnicos. A banca teve como presidente Leonardo Jasmin Edde, com os membros Carolina Teixeira Ribeiro e Maurício Hirata Filho.

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Como o dinheiro público volta para a prefeitura

A RioFilme entra como investidora. A recuperação do dinheiro vem da participação nas receitas líquidas do produtor e nas receitas brutas de distribuição, obtidas com a exibição do filme no Brasil e no exterior.

A banca analisou a viabilidade econômica da fase de produção e o currículo da equipe artística antes de liberar a verba. O edital faz parte do Programa de Fomento ao Audiovisual Carioca 2026 e busca projetos com alto potencial comercial.

Do que trata o filme?

O documento oficial não detalha o roteiro, mas o título remete a Glaidson Acácio dos Santos. Ele foi garçom e pastor e foi preso em 2021, na Operação Kryptos, acusado de comandar uma pirâmide financeira com criptoativos em Cabo Frio, no Rio. A empresa dele, a GAS Consultoria, prometia ganhos de 10% ao mês com Bitcoin. Segundo os produtores, o esquema movimentou cerca de R$ 38 bilhões e lesou mais de 300 mil pessoas.

O filme, na verdade, já está sendo rodado. Segundo a divulgação da produção, “O Faraó dos Bitcoins” tem direção de Sergio Rezende, é baseado no livro “Queda Livre”, dos jornalistas Isabela Palmeira e Chico Otávio, e tem Christian Malheiros no papel de Glaidson. A Morena Filmes também já tinha sido ligada a outro projeto sobre o caso, que captava recursos pela Ancine. O caso também foi tema da CPI das Pirâmides Financeiras.

Quem mais levou dinheiro?

O edital completo, com inscrições de 6 de julho a 14 de outubro de 2026, reservou R$ 17,5 milhões para longas e séries independentes de ficção, animação e documentário. Os R$ 3 milhões do Faraó dos Bitcoins equivalem a cerca de 17% desse total.

Na mesma ata, a prefeitura aprovou mais três projetos, e as quatro obras somaram R$ 8,98 milhões na rodada. Marta, da Conspiração Filmes, também levou R$ 3 milhões. O Missionário, da Paris Produções, recebeu R$ 2 milhões, e Cássia, da H20 Distribuidora, ficou com R$ 977.656,59. As produções buscam fortalecer o mercado audiovisual do Rio com apoio direto do município.

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