A Sony quer que empresas de inteligência artificial paguem automaticamente criadores pelo uso de suas obras. Sua iniciativa em blockchain apresenta uma proposta para viabilizar esse processo, ainda que o valor depositado nos aplicativos financeiros da plataforma tenha desabado.
Ontem (26), a Soneium, apoiada pela Sony, anunciou um novo sistema de licenciamento para IA, aportes no setor de entretenimento e planos para lançar sua própria criptomoeda.
Isso será suficiente para reanimar a blockchain Soneium, que perdeu mais de 90% de seu valor total bloqueado (TVL) desde o início de 2025?
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O problema de US$ 193 milhões da blockchain da Sony
Os depósitos nos aplicativos de finanças descentralizadas (DeFi) da Soneium caíram 95%, passando de US$ 203 milhões em maio de 2025 para aproximadamente US$ 9,4 milhões, segundo o DefiLlama.
Quatro principais projetos — Kyo Finance, Sonex, Untitled Bank e Sake Finance — chegaram a somar cerca de US$ 159 milhões em seu pico. Atualmente, concentram quase US$ 1,5 milhão.
A rede registrou 163.691 transações em 24 horas, mas gerou apenas US$ 118 em receita.
Esses números evidenciam baixa atividade financeira, apesar de os depósitos em DeFi não refletirem todos os ativos presentes na Soneium.

TVL da Soneium. Fonte: DefiLlama
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Os royalties da IA podem atrair novamente os investidores?
A Soneium, desenvolvida junto à empresa japonesa de criptoativos Startale, quer que criadores registrem suas obras em blockchain, permitindo que programas de IA verifiquem as condições de licenciamento e realizem pagamentos automaticamente.
A plataforma pretende adotar o padrão ERC-8432, uma proposta da Ethereum destinada a licenciamento em formato legível por sistemas.
Ao mesmo tempo, fãs poderão aplicar recursos na franquia de personagens Moriusa por meio de tokens. Uma colaboração com a empresa de K-pop DayOneDream ainda busca ofertar investimentos vinculados a royalties de shows.
“Vamos ajudá-los a financiar sua próxima obra em uma nova escala”, disse Yuji Kumagai, responsável pelo protocolo Soneium.
A disputa da Sony por direitos autorais de IA levanta questões maiores
A Sony Music já enfrenta empresas de IA por uso não autorizado de conteúdo.
Em julho, a companhia ajuizou mais um processo contra a Udio, geradora de música por IA, alegando infração referente a mais de 30 mil gravações. Os danos legais podem superar US$ 4,5 bilhões caso a Sony vença todas as ações.
A Universal Music e a Warner Music já fecharam acordos de licenciamento com a Udio sem o uso de blockchain.
A Soneium ainda não divulgou nenhuma empresa de IA que aderiu ao sistema de licenciamento proposto. O futuro token $SONEIUM também não possui uma data de lançamento definida.
A dúvida agora é se companhias do entretenimento e desenvolvedores de IA realmente adotarão a tecnologia, gerando negócios suficientes para reverter a queda financeira da Soneium.

