O mercado cripto brasileiro deve chegar a 2027 com menos empresas, regras mais duras e mais espaço para a tokenização. A avaliação é de Guilherme Sacamone, CEO da OKX no Brasil, em exclusiva ao BeInCrypto nesta sexta-feira (6).
Para ele, o debate sobre cripto ainda se prende demais à especulação.
“Quando falamos de cripto, a discussão ainda costuma se concentrar na negociação de Bitcoin, Ethereum, memecoins e na especulação que sempre acompanhou esse mercado. Mas a transformação vai além disso. A blockchain passa a fazer parte da estrutura usada para emitir, negociar, custodiar e liquidar ativos financeiros”, afirma.
Sacamone ainda cita como exemplo a parceria com a Intercontinental Exchange (ICE), dona da Bolsa de Nova York, que investiu na OKX em março, em negócio que avaliou a exchange em US$ 25 bilhões.
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“Para 2027, vejo dois grandes movimentos. No cenário global, cripto passa a ocupar um espaço cada vez maior na infraestrutura do mercado financeiro tradicional. No Brasil, esperamos uma consolidação importante do setor, com menos participantes e maior exigência de segurança e responsabilidade para quem continuar operando no país”, completa.
Mercado cripto brasileiro em 2027
No Brasil, o foco do próximo ano é a regulação. Pela Resolução BCB 520, as empresas que já operavam tinham até 30 de outubro para pedir autorização ao Banco Central do Brasil, e a OKX está entre as que protocolaram o pedido. Algumas plataformas já deixaram o país por causa das novas regras.
“No Brasil, o próximo passo é operar e crescer dentro das regras que já estão em vigor. A divulgação pelo Banco Central da relação de empresas que solicitaram autorização ajuda a dimensionar essa nova fase”, afirma o executivo. “O pedido de autorização é uma etapa desse processo. Depois dele, as empresas precisam sustentar a operação, manter os controles e cumprir suas obrigações ao longo do tempo.”
Em 2027, segundo ele, as empresas também terão de cumprir novas exigências de envio de informações ao regulador.
A outra frente é a tokenização, que transforma ativos como ações e títulos em registros digitais em blockchain. Em 14 de outubro, a CVM publicou a Resolução CVM 249, que criou o Programa Piloto DLT, ambiente de testes para emitir, negociar, guardar e liquidar valores mobiliários em redes de registro distribuído, a tecnologia por trás das blockchains.
“Acreditamos que a discussão sobre tokenização deve se concentrar cada vez mais nos ganhos que ela pode entregar: eficiência operacional, conexão entre participantes e melhores condições para negociar e liquidar ativos. A escala dessa evolução dependerá de segurança jurídica, infraestrutura e capacidade de integração com os sistemas existentes”, avalia Sacamone.
Cartão físico chega ao Brasil
A OKX anunciou nesta quinta-feira (5) o OKX Money, aplicativo que converte reais enviados via Pix em dólares digitais com taxa de 0,49%, e a versão física do cartão internacional OKX Card. Segundo a empresa, as compras com o cartão não pagam IOF, mensalidade nem anuidade, e o cashback vai de 2% a 10%.

