Tom Lee, da Fundstrat, prevê que o S&P 500 alcance 8 mil até o fim de agosto. Ele também estima uma correção de 10% e defende que o mercado se beneficiaria ao passar por esse ajuste.
Lee apresentou sua análise na CNBC após um leve resultado da inflação de julho impulsionar as ações a novas máximas históricas. Investidores de cripto que acompanham o Bitcoin em US$ 63 mil podem achar o argumento desconfortavelmente comum.
Por que Tom Lee prefere uma correção antes das ações chegarem a 8 mil?
O cenário é quase ideal para quem aposta em alta nas ações. Os preços ao consumidor em julho subiram 0,1% no mês e 3,4% em doze meses, em linha com as previsões. A inflação central ficou em 2,5% ao ano.
Esses dados vieram após um fraco relatório de emprego em julho. O conjunto reduziu as chances de um aumento de juros pelo Federal Reserve em setembro para cerca de 40%. O S&P 500 encerrou em recorde em 12 de agosto, mas Lee manteve sua projeção.
“… O rali está bastante saudável e está seguindo nossa estimativa de que podemos chegar a 7.900, 8 mil até o fim do mês”, disse Tom Lee, chefe de pesquisa da Fundstrat Global Advisors, em entrevista à CNBC.
O cálculo está ancorado nos resultados das empresas. Segundo Lee, as projeções para 2027 subiram de cerca de US$ 395 no início da temporada de balanços para aproximadamente US$ 410 atualmente. Um múltiplo de 20 vezes sobre US$ 425 apontaria para algo próximo a 9 mil.
Essa força, no entanto, é o que preocupa Lee. Em comunicado a clientes, ele apontou quatro riscos para uma queda. Ele espera que o topo da faixa projetada por ele marque o início de uma reversão.
Desempenho do S&P500. Fonte: TradingView
“… O final de agosto chegando a 8 mil pode nos levar a um período em que as ações decepcionem, mesmo com fundamentos positivos.”
Dívida com margem lidera a lista de alertas de Tom Lee
O uso de recursos tomados é sua principal preocupação. Dados da Financial Industry Regulatory Authority (FINRA) apontam que a dívida de margem atingiu o recorde de US$ 1,53 trilhão em junho. Isso representa alta expressiva de 7,9% em um mês e 51,5% em doze meses.
O segundo risco está no mercado de títulos. Kevin Warsh assumiu a presidência do Fed este ano e trouxe nova abordagem para a inflação, cuja precificação ainda não foi assimilada pelos investidores.
“… Parte disso é o tamanho alcançado pela dívida de margem. Outra questão é que ainda não ficou claro como o mercado interpreta Kevin Warsh e seu novo método, e se o mercado de títulos vai reagir mal a ele.”
As eleições de meio de mandato em novembro representam o terceiro risco. O quarto é a SpaceX, cujo vencimento escalonado do lockup libera ações de executivos e funcionários. Lee vem destacando esse cronograma desde o início de julho. Ele classificou os quatro itens como armadilhas, não necessariamente razões para vender.
As quatro armadilhas apontadas por Tom Lee ao projetar uma correção de 10%. Fonte: BeInCrypto
Não houve consenso entre os participantes do programa. Courtney Garcia, da Payne Capital, argumentou que os lucros justificam os preços atuais. Saúde, financeiramente e indústria superaram o índice ao longo dos últimos três meses, segundo ela. Na visão de Garcia, as preocupações com investimentos em IA diminuíram à medida que os resultados foram divulgados.
Já Stephanie Guild, da Robinhood, compartilhou opinião próxima à de Lee. Para ela, períodos de alta favorecem o aumento do crédito, o que cria o ambiente para a próxima forte queda, mesmo com fundamentos sólidos.
O Bitcoin já sofreu o impacto previsto por Lee
É nesse ponto que a análise das ações ganha paralelo desconfortável para a cripto. O Bitcoin (BTC) opera próximo a US$ 63.062, queda de 0,5% em 24 horas, com valor de mercado de cerca de US$ 1,27 trilhão. O ativo segue como maior moeda digital.
Desempenho do preço do Bitcoin. Fonte: BeInCrypto
As ações seguem renovando recordes, enquanto o preço atual do Bitcoin permanece muito abaixo de seu topo histórico. A desalavancagem que Lee deseja para o mercado de ações já ocorreu no mercado cripto, e não poupou os investidores.
Lee destacou esse ponto há alguns meses. Ele argumentou que o mercado cripto já havia passado por uma fase baixista oculta que poucos investidores perceberam. Na ocasião, as posições vendidas estavam próximas de níveis normalmente observados em fundos de mercado.
Fundstrat co-founder Tom Lee says half the equity market and crypto already moved through a hidden bear phase.
Lee says:
– AI and tokenization are reinforcing blockchains long-term future.
– Stablecoins will become the backbone for AI agents at scale.
Agree with Tom Lee?
— BeInCrypto (@beincrypto) May 4, 2026
Ele também sustenta essa visão com capital próprio. Lee é presidente da BitMine Immersion Technologies, empresa que tem o ether como principal ativo de tesouraria. Ele classifica o Ethereum entre os protagonistas de uma nova alta no próximo movimento de valorização.
Sua tese mais ampla baseia-se na dúvida, não na convicção. Muitos clientes institucionais ainda consideram que o movimento envolvendo Inteligência artificial está sobrevalorizado ou que os lucros já atingiram o máximo, afirmou Lee. Trilhões em capital permanecem parados à espera. Ele considera essa hesitação como um potencial impulsionador.
“… penso que há pessoas que acompanham de perto o fim do mercado de alta, e acredito que isso é o que mantém o ciclo saudável.”
As próximas duas semanas vão testar a primeira metade dessa análise. Se o S&P 500 alcançar 8 mil pontos e depois recuar, surge uma dúvida para o setor cripto: um ativo já bastante pressionado pode recuar ainda mais ou será que finalmente vai se desvincular desse movimento?

