Stablecoins puxam cripto na América Latina e atraem corretoras globais

Resumo:América Latina movimenta US$ 593,8 bi em cripto e stablecoins ganham espaço; OKX aposta em app de dólar digital.

A América Latina movimentou US$ 593,8 bilhões em criptomoedas nos 12 meses encerrados em junho de 2026. O volume representa alta de 9,8% em relação ao período anterior. Os dados são da Chainalysis, empresa de análise de dados de blockchain, em relatório divulgado em 23 de setembro.

O crescimento tem um motor claro, as stablecoins. São criptomoedas com valor atrelado a uma moeda tradicional, em geral o dólar americano. Em junho, elas já respondiam por 32,1% do valor enviado entre países da região.

Esse cenário acirra a disputa pelo usuário latino-americano. De um lado estão as plataformas locais e, do outro, as corretoras globais. A OKX, uma das corretoras internacionais com operação na região, diz que a América Latina virou prioridade.

“Essas realidades fazem da América Latina um mercado central para a OKX”, afirmou ao BeInCrypto Karina Caudillo, gerente regional da empresa para a América Latina de língua espanhola. A executiva se referia à volatilidade das moedas locais, ao acesso limitado a bancos e às taxas altas de câmbio.

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Quanto movimenta o mercado cripto na América Latina?

O Brasil segue como o maior mercado da região, com US$ 252,5 bilhões movimentados no período. O país também ficou em primeiro lugar no índice global de adoção de cripto da Chainalysis.

Em seguida aparecem Argentina, com US$ 88,5 bilhões, e México, com US$ 77,6 bilhões. Venezuela, com US$ 39,1 bilhões, e Colômbia, com US$ 29,1 bilhões, completam a lista dos cinco maiores. Juntos, esses países concentram mais de 80% da atividade cripto da região.

O peso do Brasil cresceu nos últimos anos. O país respondia por 31,6% do valor movimentado na região no período de 2022. Hoje, essa fatia chega a 43,7%.

O crescimento regional, porém, não veio do Brasil. A economia cripto brasileira recuou 1,6% no período. A alta foi puxada por México (25,5%), Argentina (15,3%) e Colômbia (13,8%). A Venezuela disparou 107,2%.

Para Ben Reid, chefe global de stablecoins da corretora Bitso, a demanda na região tem três causas. Ele citou “inflação persistente, volatilidade cambial e controles de capital restritivos em vários países”, em declaração à Chainalysis.

Stablecoins ganham espaço no bolso do latino-americano

As stablecoins avançaram em todas as frentes analisadas pela Chainalysis. Em junho, elas representavam 32,1% do valor enviado entre países e 22,1% das transferências P2P, aquelas feitas diretamente entre pessoas. Elas também já somavam 17,6% dos saldos guardados em carteiras pessoais.

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No México, 61% da atividade cripto passa por stablecoins. As entradas desses ativos em plataformas do país chegaram a US$ 8,4 bilhões no segundo trimestre de 2026.

No Brasil, a economia de stablecoins cresceu 495%. No restante da região, a alta foi de 89,4%. O número de carteiras brasileiras com pelo menos US$ 10 mil em stablecoins subiu 347% desde julho de 2024.

O uso no Brasil, no entanto, tem perfil mais empresarial. “A visão do próprio mercado é que as stablecoins são, antes de tudo, para empresas, à frente de instituições financeiras e consumidores”, disse à Chainalysis Julia Rosin, presidente da ABCripto, a associação brasileira do setor.

Segundo o relatório, o Pix, usado por 91% dos brasileiros, reduz o espaço das stablecoins nos pagamentos do dia a dia.

Corretoras globais e locais disputam o usuário

A forma como os latino-americanos guardam cripto também mudou. Em junho de 2026, 71,2% dos saldos da região estavam em plataformas como corretoras, e não em carteiras próprias. A média global é de 68%.

No Brasil, as corretoras locais ganharam terreno. A fatia delas nas entradas de recursos subiu de 1,5% para 12,5%. No resto da América Latina, aconteceu o contrário: plataformas locais perderam espaço para concorrentes internacionais.

A Chainalysis associa a mudança brasileira às regras do Banco Central que entraram em vigor em fevereiro de 2026. As normas trazem exigências de governança, segurança, prevenção à lavagem de dinheiro e capital mínimo. A barreira mais alta pode levar a uma concentração do mercado.

“Se avançarmos 12 meses, acho que veremos muito menos empresas nativas de cripto aqui no Brasil”, disse à Chainalysis Fabricio Tota, vice-presidente de cripto do Mercado Bitcoin.

O que é mais atraente na região?

A OKX definiu quatro prioridades para os próximos 12 a 18 meses na região. A empresa quer construir confiança, ampliar o acesso de forma responsável, fortalecer o suporte local e adaptar os produtos a cada mercado.

A principal aposta é o OKX Money, um aplicativo separado da corretora. Ele reúne poupança em dólar digital, recompensas sobre saldos elegíveis, transferências com stablecoins e cartão para gastos.

“Vemos as stablecoins como uma infraestrutura financeira prática, e não apenas como instrumentos de negociação”, disse Caudillo.

A proposta segue uma tendência apontada pela própria Chainalysis. Gabriel Campa, chefe de ativos digitais do banco panamenho Towerbank, contou ao relatório o que observa entre os clientes. “Eles não querem a conta bancária em um lugar e os ativos digitais em outro”, afirmou.

A executiva da OKX não detalhou planos específicos para o Brasil. Segundo ela, a empresa evita aplicar um modelo único na região e ajusta produtos, parcerias e atendimento a cada país.

Regulação de cripto avança em ritmos diferentes

As regras para o setor mudam de país para país. A Argentina mantém um registro de prestadores de serviços de ativos virtuais, as empresas que compram, vendem e guardam cripto para clientes. O México segue sua lei de fintechs. O Brasil passou a exigir autorização do Banco Central.

A OKX diz que atua mercado a mercado, com a conformidade regulatória como ponto de partida. Segundo Caudillo, a empresa mantém controles de verificação de identidade e de prevenção à lavagem de dinheiro. Ela também monitora as transações dos clientes.

O que esperar do mercado cripto na região?

Para a Chainalysis, o papel prático da cripto na América Latina deve continuar a crescer. O relatório aponta dois caminhos. No Brasil, a cripto cresce pela maturidade e pela regulação. Na Venezuela, cresce pela necessidade.

“A cripto, e as stablecoins em particular, foram além da adoção inicial e se tornaram parte integral do cenário financeiro da América Latina”, resumiu Reid, da Bitso.

A OKX promete seguir investindo em suporte local, educação e conformidade. Segundo Caudillo, novas parcerias serão anunciadas em conjunto com os parceiros quando estiverem prontas.

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