O preço do Bitcoin (BTC) está prestes a encerrar julho em alta pelo terceiro ano consecutivo, marca que nenhum outro mês alcança. Agora, agosto chega com o pior histórico sazonal registrado.
O BTC é negociado próximo de US$ 65.300 após uma semana estável e de pouca movimentação. Enquanto isso, três fatores definem o próximo movimento. A redução nos aportes a fundos, a diferença de comportamento entre grandes investidores e investidores de longo prazo, além de um padrão gráfico pessimista.
Julho vem em sequência positiva, mas encontra o mês mais fraco
A análise histórica mostra o risco principal. Julho fechou em alta por três anos seguidos, em 2024, 2025 e 2026 (este ainda em andamento), um desempenho raro.
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Em julho, o aumento é de 11,5% mesmo com o BTC preso na mesma faixa durante praticamente toda a semana passada. Esse avanço é relevante porque o Bitcoin havia ignorado a sazonalidade durante quase todo o ano. Junho teve queda de 20,5% diante de uma média positiva, e o fechamento negativo de junho influenciou também a previsão de preço para julho.
Tabela de Retornos Mensais do Bitcoin: CryptoRank
É em agosto que o cenário muda. Sua mediana de -7,87% é a mais fraca entre todos os meses, e a média de -0,64% é uma das duas únicas negativas. Além disso, agosto fechou em baixa desde 2022.
Os fluxos para fundos já refletem essa cautela. O pico semanal dos aportes em ETFs de Bitcoin ocorreu em US$ 197,40 milhões na semana até 10 de julho, caindo depois para US$ 75,67 milhões e, por fim, para US$ 33,79 milhões em 24 de julho.
Isso representa uma queda de 55% em uma semana e recuo de 83% em relação ao pico de julho. As instituições não estão vendendo, mas a demanda pelos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA claramente diminui ao entrar no mês mais enfraquecido.
Fluxos semanais de ETFs de Bitcoin: SoSoValue
Gestores de fundos possivelmente recuam, enquanto as maiores carteiras on-chain agem de maneira oposta.
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Baleias de Bitcoin compram enquanto holders de convicção recuam
Baleias do Bitcoin passaram a comprar em 23 de julho. O número de entidades com pelo menos mil BTC aumentou de 1.263 para aproximadamente 1.267 em três dias.
A mesma configuração ocorreu exatamente um mês antes. Entidades de baleias aumentaram em 23 de junho, com continuidade até meados de julho, e o Bitcoin avançou quase 4% nesse período. Os dados sugerem que esses grandes players podem estar se preparando para uma nova recuperação de curto prazo.
Entidades que possuem mil BTC: Glassnode
Os investidores de longo prazo contam uma outra história. A alteração líquida na posição dos holders, índice que acompanha o quanto essas carteiras adicionam ou diminuem de suas reservas por mês, atingiu o pico de 42.301 BTC em 24 de maio, com o Bitcoin próximo de US$ 77.039.
Pico da alteração líquida de holders: Glassnode
Depois, caiu para cerca de 20.500 BTC em 2 de julho, retração de aproximadamente 52%, enquanto a cotação recuou para US$ 61.486.
O padrão se repete. O indicador passou de 29.838 BTC em 11 de julho para 15.766 BTC em 26 de julho, uma queda de 47%, mesmo com o preço estável por volta de US$ 65 mil.
Alteração líquida de holders em julho: Glassnode
Os holders ainda ampliam suas reservas, mas de forma bem mais lenta. Essa desaceleração sugere que esse grupo pode estar se prevenindo para uma potencial correção, conforme já indicado também pelos fluxos para fundos.
Os pequenos investidores não compensam esse movimento. O índice de divergência entre baleias e varejo, nos 4,4 no período diário, indica alinhamento, ou seja, os dois grupos agem de forma semelhante. Isso pode atuar nos dois sentidos, já que, se as baleias mudarem de postura, o varejo tende a seguir o mesmo caminho.
Pontuação de Divergência entre Baleias e Varejo: Charlie Quant Lab
Com as instituições recuando e os investidores diminuindo o ritmo, o gráfico se torna o fator decisivo.
Previsão de preço do Bitcoin depende de um nível abaixo de US$ 61 mil
O gráfico respalda a visão cautelosa. No período de três dias, o Bitcoin opera em um padrão de cabeça e ombros desde o início de março. Trata-se de uma configuração de baixa em que um pico elevado fica entre dois topos menores.
O volume de compra caiu desde 30 de junho, mesmo com a alta do preço. Um volume fraco na formação do ombro direito é sinal clássico de exaustão e confirma o risco de queda de 25% previsto pelo padrão.
Padrão de Cabeça e Ombros do Bitcoin: TradingView
Os próximos patamares serão decisivos. Desde 3 de julho, o Bitcoin opera entre US$ 66.885 e US$ 60.965.
Um fechamento em três dias acima de US$ 66.885 sinaliza força e abre caminho para US$ 76.118, mantendo o trajeto do Bitcoin de volta a US$ 100 mil. Caso perca o patamar de US$ 60.965, o ativo rompe o suporte e pode buscar a linha do pescoço perto da zona dos US$ 54 mil.
Se perder a linha do pescoço, o movimento projetado pode levar a cotação para cerca de US$ 41.266. Assim, a previsão para agosto combina um rompimento técnico com a tendência histórica de queda média de 8% no mês.
Análise do Preço do Bitcoin: TradingView
Cabe uma ressalva. Os padrões de cabeça e ombros frequentemente falham e uma queda para a faixa dos US$ 41 mil exigiria um gatilho que o mercado ainda não apresenta. Apenas uma recuperação de US$ 82.931 anularia totalmente a estrutura de baixa, cenário tão improvável quanto a própria projeção negativa. Por ora, US$ 60.965 separa um agosto lateralizado de uma possível queda para US$ 41.266.


