A Binance opera sua exchange global sob a regulação de Abu Dhabi. Mesmo assim, a polícia dos Emirados Árabes deteve dois funcionários durante investigações sobre crimes financeiros, segundo o New York Times.
Todos já foram liberados. Um terceiro integrante, que lidera a operação da empresa em Dubai, respondeu perguntas em uma delegacia em julho.
Uma base consolidada por licenças e capital estatal
Os Emirados Árabes não são um mercado periférico para a Binance. São o centro das operações.
A Financial Services Regulatory Authority de Abu Dhabi concedeu à exchange três licenças em 8 de dezembro. Nenhuma outra exchange de cripto havia conquistado uma licença global nesse modelo regulatório. As permissões passaram a valer em 5 de janeiro.
O aporte financeiro também é expressivo. O fundo público MGX investiu US$ 2 bilhões em março de 2025. O pagamento foi feito em USD1, uma stablecoin da World Liberty Financial, empresa com participação da família Trump.
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A relação chega a influenciar políticas. A Binance usou as normas de licenciamento em Abu Dhabi para justificar mudanças no tratamento a pedidos policiais internacionais.
Paradas em aeroportos e uma noite sob custódia
Duas pessoas foram abordadas em aeroportos dos Emirados, segundo fontes próximas às investigações. Um colaborador de nível intermediário passou por Sharjah este mês. Ele foi levado a uma delegacia e passou a noite detido.
O objetivo da investigação policial ainda não está claro. A Binance comunicou ao governo emiradense que seus funcionários foram envolvidos em casos de fraude relacionados a clientes. A empresa afirmou que nenhum colaborador tinha ligação direta com os delitos.
A razão pode ser burocrática. Alguns nomes de funcionários constam em conta bancária corporativa mantida pela Binance no país. Essa conta processa depósitos e saques de clientes.
“Um pequeno número de integrantes da equipe foi recentemente solicitado a prestar esclarecimentos padrão às autoridades locais, como parte de investigações rotineiras sobre fluxos de terceiros… todos os que contribuíram com declarações foram prontamente liberados”, afirmou um porta-voz da Binance, ao New York Times.
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Um padrão recorrente envolvendo funcionários da Binance
As autoridades do país já monitoravam movimentações financeiras relacionadas à exchange. A Virtual Assets Regulatory Authority de Dubai multou uma empresa local não licenciada, a Shelbit, em 24 de julho. Segundo a Reuters, cerca de US$ 4 bilhões passaram por contas da Shelbit, sendo que aproximadamente US$ 676 milhões tiveram como destino a Binance.
O histórico da Binance atrai esse tipo de atenção. A exchange declarou-se culpada nos Estados Unidos em novembro de 2023 e pagou US$ 4,32 bilhões. Investigadores constataram que US$ 898 milhões em negociações foram realizados entre usuários do país e do Irã.
O acordo estabeleceu um monitor externo para verificar as práticas de compliance da Binance durante três anos. Esse prazo ainda não expirou.
Colaboradores já foram detidos em outros países. O executivo de compliance Tigran Gambaryan ficou meses sob custódia na Nigéria em 2024. Pressão diplomática dos EUA garantiu sua libertação.
Essas detenções causaram inquietação na equipe. A Binance procurou autoridades dos Emirados este mês, buscando apoio e demonstrando preocupação com a segurança dos funcionários.
Resta saber se o foco da apuração continuará restrito a fraudes de clientes, o que pode revelar até onde as licenças garantem proteção à empresa.

