Agora, após passar uma década no universo cripto, acredito que o caso de uso real mais importante da tokenização, blockchain e contratos inteligentes pode ser a tokenização de derivativos climáticos e não meramente a criação de um depósito digital de ativos tradicionais geradores de rendimento, como títulos.
Deixe-me explicar o motivo.
Derivativos climáticos são instrumentos financeiros que pagam quando condições climáticas específicas ultrapassam limites predefinidos. Por exemplo, uma companhia de energia elétrica pode adquirir um contrato que paga caso as temperaturas de inverno se mantenham anormalmente altas, reduzindo a demanda por aquecimento e, consequentemente, a receita. Uma companhia aérea pode se proteger contra o custo de cancelamentos de voos causados por tempestades. Um agricultor na Índia pode se resguardar contra o fracasso da monção.
Estes instrumentos existem precisamente porque o clima é um dos maiores riscos financeiros não protegidos na economia global. De acordo com estimativas da Organização Meteorológica Mundial, desastres relacionados ao clima causaram um perda econômica global de mais de US$ 2 trilhões na última década apenas.
O mercado tradicional de derivativos climáticos está quebrado
O problema é que o mercado criado para gerenciar esse risco está, ele próprio, quebrado.
Derivativos climáticos são contratos altamente específicos, em sua maioria sob medida, baseados em riscos localizados e frequentemente de curto prazo, o que limita severamente a atividade de negociação secundária. O mercado inteiro possui um valor nocional de aproximadamente US$ 25 bilhões, um erro de arredondamento em comparação com os mercados de derivativos de taxa de juros ou crédito, e um erro de arredondamento igualmente impressionante em relação aos US$ 2 trilhões em perdas relacionadas ao clima registradas na última década — sem mencionar a escala dos potenciais desastres futuros.


